2012-01-31

As fotografias recortadas simbolizando um piscar de olhos no tempo e espaço de Isabel M. Martinez

Formada em belas artes no Chile e com um mestrado no Canadá, a artista Isabel M. Martinez gosta de explorar os limites da percepção humana e da fotografia.

Como representar, em uma foto, dois momentos distintos mas próximos, separados por talvez não mais que um piscar de olhos? A resposta da artista é a série Quantum blink (Piscar de olhos quântico). O olho humano não capta imagens contínuas, tiramos dezenas de fotos por segundo e o nosso cérebro funde as imagens criando a sensação de continuidade (o princípio básico do cinema). Procurando representar como seria se talvez não perdêssemos nenhum momento, Isabel funde em uma só imagem, dois momentos. Para isso, ela tira fotos com dupla exposição, usando uma máscara em forma de grades (ou linhas verticais) em frente a sua lente, alternando a parte do filme que será sensibilizado pela luz. O resultado são imagens em que finas tiras são intercaladas, alternando imagens do primeiro e do segundo momento. Vejam:

fotografias recortadas simbolizando um piscar de olhos no tempo e espaço de Isabel M. Martinez

Olhando de frente e de lado. Minha foto preferida.

fotografias recortadas simbolizando um piscar de olhos no tempo e espaço de Isabel M. Martinez

Cruzamento no trânsito. Esse entrelaçamento é bem apropriado para a técnica da artista, não?

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Um único retrato e muitos olhos...

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...ou muitas mãos.

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Imagens de fundir a cabeça.

fotografias recortadas simbolizando um piscar de olhos no tempo e espaço de Isabel M. Martinez

Olhando para os dois lados ao mesmo tempo.

Usando a mesma técnica, Isabel também explora a possibilidade da arte de "dobrar" o espaço e o tempo, juntando em apenas um, eventos distintos e distantes. E se pudéssemos fazer isso, não conectaríamos um domingo ao sábado seguinte, pulando toda a chata semana de trabalho? Essa é a ideia da série The Weekend (O fim de semana) da artista. Vejam:

fotografias recortadas simbolizando um piscar de olhos no tempo e espaço de Isabel M. Martinez

Dessa séria, a minha foto preferida. Um prédio de tijolos e um campo de grama verdejante.

fotografias recortadas simbolizando um piscar de olhos no tempo e espaço de Isabel M. Martinez

Fim de semana é bom pra dormir.

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Água e floresta.

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Um rapaz fundido à árvore.

fotografias recortadas simbolizando um piscar de olhos no tempo e espaço de Isabel M. Martinez

fotografias recortadas simbolizando um piscar de olhos no tempo e espaço de Isabel M. Martinez

Lendo a mocinha.

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Imagens via site de Isabel M. Martinez. Dica via I Heart my Art.

As três regras das relações humanas do trabalho - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 31/01/2012, com as três regras das relações humanas no trabalho.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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As três regras das relações humanas do trabalho

relações humanas trabalho parceria

Nas relações humanas no trabalho, existem apenas três regras.

Regra número 1: colegas passam, mas inimigos são para sempre. A chance de uma pessoa se lembrar de um favor que você fez a ela, vai diminuindo à taxa de 20% ao ano. Cinco anos depois, o favor será esquecido, não adianta mais cobrar. Mas a chance de alguém se lembrar de uma desfeita se mantém estável, não importa quanto tempo passe. Exemplo: se você estendeu a mão para cumprimentar alguém em 1997 e a pessoa ignorou a sua mão estendida, você ainda se lembra disso.

Regra número 2: a importância de um favor diminui com o tempo, enquanto a importância de uma desfeita aumenta. Favor é como um investimento de curtíssimo prazo. Desfeita é como um empréstimo de longo prazo. Um dia, ele será cobrado, e com juros.

Regra número 3: um colega não é um amigo. Colega é aquela pessoa que durante algum tempo parece um amigo. Muitas vezes até parece o melhor amigo. Mas isso só dura até um dos dois mudar de emprego. Amigo é aquela pessoa que liga para perguntar se você está precisando de alguma coisa. Ex-colega, que parecia amigo, é aquela pessoa que você liga para pedir alguma coisa e ela manda dizer que no momento, não pode atender.

Durante sua carreira, uma pessoa normal terá a impressão de que fez um milhão de amigos e apenas meia-dúzia de inimigos. Estatisticamente, isso parece ótimo, mas não é. A lei da perversidade profissional diz que no futuro, quando você precisar de ajuda, é provável que quem mais poderá ajudá-lo é exatamente um daqueles poucos inimigos.

Portanto, profissionalmente falando e pensando no longo prazo, o sucesso consiste principalmente em evitar fazer inimigos. Porque, por uma infeliz coincidência biológica, os poucos inimigos são exatamente aqueles que têm boa memória.

Max Gehringer, para CBN.

2012-01-30

Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore

Não é a toa que The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (ou Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore) foi indicado ao Oscar de melhor curta de animação. Simplesmente fantástico, como o nome sugere, o curta tem inspiração em eventos reais, como o furacão Katrina, e também em elementos líricos, como o Mágico de Oz. Entretanto, o que se sobressai é mesmo o amor dos criadores por livros.

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

No curta, um jovem escritor tenta colocar palavras em seu livro, quando um desastre natural acontece. Caminhando por um cenário devastado, com seu espírito abalado (acinzentado), ele encontra uma garota voando com livros como se fossem os passarinhos carregando-a. Entretanto, a garota deixa um livro para o rapaz, que o guia até um lugar onde ele aos poucos, redescobre a alegria dos livros, até escrever a sua própria história.

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

Sem nenhum diálogo, a animação consegue passar os sentimentos dos personagens através não só do visual, mas também da bela música (de John Hunter). Dirigido e escrito por William Joyce, e co-dirigido por Brandon Oldenburg, The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore é uma pequena pérola para os amantes da literatura e da animação. Vejam:


The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore from Moonbot Studios.

Para mais informações e vídeos de making-of, você pode visitar o site oficial de The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore.

Dica via Empty Kingdom - The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

As esculturas de sombras de Tim Noble e Sue Webster

A dupla de artistas Tim Noble e Sue Webster fazem esculturas que, aparentemente, são apenas um amontoado de objetos sem sentido. Mas jogue uma luz na direção certa e a sombra do aparente entulho se transformará em uma figura totalmente diferente. São amontoados de vibradores formando bustos de dois rostos,
animais empalhados formando cabeças decepadas, ferro velho formando ratos copulando e lixo caseiro formando duas pessoas tomando vinho e fumando.

Enfim, uma arte bem peculiar e curiosa. Vejam:

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

Dildos vermelhos formando um busto de duas faces.

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

Roedores empalhados.

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

Aves empalhadas formando cabeças decepadas em lanças.

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

Lixo doméstico formando um casal.


esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

Casal.

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

Ferro velho formando um homem urinando.

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

Mais cabeças na lança. E com um corvo.

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

Metal formando ratos copulando.

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

Lixo e cabeças.

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

Não parece que a "sombra da moça" está levando na bunda? :P

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

Barras de metal pontudos e a figura vazada.

esculturas sombras imagens tim noble e sue webster

Lixo e embalagens formando a cidade.

Imagens via site de Tim Noble e Sue Webster. Dica via Trendland - Tim Noble & Sue Webster's British Rubish.

'Temos um colega que costuma agir como auditor' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 30/01/2012, sobre aquele colega que fica caçando erros alheios, para se garantir.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Temos um colega que costuma agir como auditor'

auditor
(Imagem via portfólio de Wlliam Medeiros).

Escreve uma ouvinte: "Temos um colega que vive falando dos erros e defeitos dos demais colegas. Sem ter um cargo que lhe permita agir assim, ele se comporta como se fosse um auditor de nossas pequenas deficiências. Ele diz que faz isso só para colaborar, sem querer prejudicar ninguém, mas temos dúvidas quanto às reais intenções dele."

Bom, em primeiro lugar, não tenham dúvidas, as intenções dele não são boas. Vocês estão diante do caçador de erros alheios. Toda empresa tem um, no mínimo.

Como erros fazem parte da vida profissional, o caçador tem sempre um campo fértil para explorar. Às vezes o caçador é um diplomata disfarçado. Ele parece estar elogiando um colega, mas no meio do elogio dá um jeitinho de incluir uma referência a um erro que o colega cometeu. E o que fica gravado depois da conversa é sempre o erro, porque é da nossa natureza dar mais atenção às exceções do que às regras. Mas há também os caçadores descarados, aqueles que simplesmente que ignoram os 99% de acertos e concentram suas baterias no 1% de erros.

Por que existe gente assim? Porque há duas maneiras de alguém conseguir se destacar. A primeira é mostrar que é bom. E a segunda é mostrar que os outros não são. Evidentemente, a primeira é bem mais difícil que a segunda. Fazer um trabalho bem feito requer tempo, conhecimento, concentração e talento. Dizer que os outros são ruins, só requer uma frase.

O caçador de erros alheios é um profissional inseguro. Ele compensa a falta de confiança para competir de igual para igual, ressaltando os aspectos negativos de seus competidores. Sabendo que também está sujeito a erros, ele se previne mostrando que os outros também erram, e amplificando os erros alheios para que seus próprios erros pareçam menores.

Como muitos tipos com os quais ninguém gosta de conviver, o caçador de erros alheios faz parte da paisagem das empresas. Mas há um jeito de neutralizá-lo. Os profissionais bem sucedidos com os quais eu convivi, tinham a habilidade de reconhecer e anunciar os seus erros, antes que alguém o fizesse. Esses profissionais nunca foram incomodados pelos caçadores de erros, porque já não havia mais nada para caçar.

Max Gehringer, para CBN.

2012-01-29

Um dia no parque filmado pelo ponto de vista do cachorro

Kelsey Wynns comprou um par de câmeras usadas GoPro, especializadas em filmar em lugares não convencionais (como em pranchas de surfe, capacetes de ciclistas ou outros esportes radicais), e quis testá-las filmando cães e filhotinhos no parque.

cachorros

Colocando a câmera presa numa espécie de colete no seu cachorro dinamarquês, ele filmou um belo dia bem agitado no parque, junto a diversos outros cães. Tudo a 60 fps e com direito a edição com muitas câmeras lentas. Um vídeo obrigatório pra quem gosta de cachorros:


Beautiful Day at the Dog Park from Kelsey Wynns.

Essa é uma boa vida de cachorro.

Video de Kelsey Wynns. Dica via Brainstorm 9 - Um dia no parque do ponto de vista de um cachorro.

2012-01-27

As esculturas góticas de deuses e máquinas de guerra de Kris Kuksi

Dizer que Kris Kuksi é um escultor americano não está incorreto, mas de longe passa a dimensão do trabalho dele. Suas esculturas em estilo gótico apresentam uma complexidade e um nível de detalhes tremendo, com temas que variam de releituras de mitos e deuses, passando por figuras contemporâneas, até a armas de guerra e à morte, com um tom gótico.

Ou, conforme Guillermo del Toro (o conhecido cineasta) diz em depoimento no site do artista:

"Um mestre do rococó pós-industrial, Kris Kuksi organiza obsessivamente personagens e arquiteturas em composições assimétricas com um peculiar senso de dramaticidade. Em vez de pedras e coberturas, ele usa soldados de plástico gritando, blocos de motores miniaturizados, torres imponentes e variados detritos para formar suas paisagens. O conflito político, espiritual e material desses santuários é promulgado ante o olhar calmo de divindades remotas e majestosas estátuas. Kuksi consegue invocar, ao mesmo tempo, um lugar sagrado e um mausoléu para nossos sufocados espíritos."

Se alguém tem um depoimento desses, do Guillermo del Toro em seu site, nem é preciso dizer mais nada. "Incrível" define bem o nível.

Vejam abaixo. Como as imagens são muito detalhadas, sugiro que cliquem em cada uma delas, para abrir em tamanho maior.







Antigos deuses saindo direto para a guerra. É isso o que várias dessas imagens me lembram.



Uma torre/caça espacial/jato ou sei lá. Ou tudo junto.





Máquinas de guerra com um estilo gótico e meio steampunk.



Tanque de guerra catedral.



Essa imagem é uma das minhas preferidas e serve muito bem como papel de parede.







Santuários góticos envolvidos pela morte.





Deuses clássicos.



Cenários pós-industriais góticos.





Soldados e deuses.



Deuses de variadas religiões reinventados.



E figuras históricas marchando para a guerra e a morte.



Da violência, nem mesmo os santos escapam.


Imagens via site de Kris Kuksi. Dica via Empty Kingdom - Kris Kuksi Mega Part III.
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