2009-12-31

Filme: Encantada

Acabei de assistir o filme Encantada (ou Enchanted, no original), e tive que vir postar. Eu geralmente não comento filmes que vejo em casa, mas esta é uma honrada exceção.

filme encantada pôster cartaz
Ok, admito que boa parte da minha fascinação pessoal pelo filme se deve pela protagonista, a linda Amy Adams (que atuou nos já comentados aqui, Dúvida e Uma Noite no Museu 2). Ela é Giselle, uma linda moça que vive no reino distante e mágico de Andalásia. Ela acaba conhecendo o príncipe Edward (James Marsden, mais conhecido como Ciclope de X-Men), e então os dois, no meio de muita música, se apaixonam e marcam casamento para o dia seguinte.

filme encantada amy adams
Entretanto, a madrasta má (Susan Sarandon) quer impedir essa união, para não perder o trono de rainha. Por isso, disfarçada como velhinha (clássico), manda a princesa Giselle para o mundo real, em plena Nova York. É claro que depois o príncipe acaba indo também para o mundo real em seu resgate, bem como o seu escudeiro, que é apaixonado pela madrasta-rainha e a própria.

filme encantada príncipe e princesa
No mundo real, Giselle acaba sendo ajudada pelo advogado de divórcios e pai solteiro Robert (Patrick Dempsey), e a partir daí, o filme segue um roteiro mais tradicional de comédia romântica, com esses dois protagonistas se apaixonando, claro.

filme encantada encontro pizzaria
O começo do filme é todo em animação tradicional, em 2D, e marca a linha divisória entre o reino de Andalásia e o mundo real em Nova York, que é filmado com os atores em carne e osso.

O filme é todo permeado com homenagens aos clássicos contos de fada Disney, mas ao mesmo tempo fazendo graça com esses estereótipos. O contraste entre o conto de fadas e a realidade, na figura dos personagens que chegam ao mundo real, rendem os melhores momentos. A figura dos animais falantes, tão clássico nas animações Disney, rende ótimas tiradas no mundo real. E o que dizer da cena clássica chupada de Branca de Neve, com os animais ajudando a pobre mocinha? Agora, imagine esse tipo de coisa na realidade novaiorquina. Garantia de muitas risadas.

filme encantada desenho x filme
filme encantada desenho x filme
(Comparação de cenas de alguns clássicos Disney com cenas do filme.)

Sem dúvida nenhuma, o roteiro e a direção agradam, mas a estrela do filme é mesmo Amy Adams. Sua mocinha Giselle é apaixonante, e acima de tudo, rende muitas risadas com o "jeitinho princesa" no mundo real. E se, ao longo do caminho, o mundo real "invade" um pouco "a magia" da personagem, com certeza a magia da personagem se espalha por vários aspectos do mundo real.

filme encantada vestido de cortina
Incluindo principalmente, a visão de amor do reino mágico. Que não é tão distante assim do reino das comédias românticas. E que, se do lado de cá da telinha, nem sempre se mostra real (eu nunca vi, mas já me disseram que existe), do lado de lá da telinha é sempre delicioso de se ver.

Trailer:



Para saber mais: Crítica no Omelete.

Um raio de sol

Não é tão impressionante quanto aquele raio de sol saindo por entre as nuvens, mas esse gatinho curtindo o sol não dá um ar de esperança?

gato,sol,cute

Uma luz do pôr-do-sol ou do amanhecer. Porque o sol do meio-dia dá câncer de pele, hein? XD

Sobre os conselhos - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 31/12/2009, sobre conselhos para a carreira.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Sobre os conselhos

ouça conselho
Uma mensagem confessional. Escreve um ouvinte: "Faz dez anos, o meu gerente naquela época, me deu um conselho. Ele me aconselhou a não estudar Direito, porque o mercado estava saturado. Mas, como eu tinha 19 anos e achava que sabia tudo, ignorei o que ele disse e me formei Bacharel em Direito.

Agora, chegando aos 30 anos, percebo que deixei de acatar não só aquele, como muitos outros conselhos que recebi. Em função disso, venho tendo uma carreira profissional errática. Passei por várias empresas e por diversas áreas, sem me fixar em nenhuma. Acredito que eu poderia estar muito melhor do que estou hoje, se tivesse sido mais receptivo ao aconselhamento dos mais antigos."


Bom, sua mensagem não é bem uma consulta, é mais um desabafo ou uma confissão. Mas permita-me exercer o meu direito de discordar.

Eu também ouvi na vida, muitos conselhos e sugestões. Talvez eu tenha acatado 5% deles, se tanto. O resto, assim como você, eu também agradeci e ignorei. O que teria acontecido se eu tivesse seguido 95% dos conselhos que recebi, em vez de 5%? Provavelmente, a minha carreira teria sido uma confusão monumental.

A verdade é que qualquer conselho que recebemos no passado, fará sentido algum dia no futuro, em uma situação específica. Até mesmo dois conselhos totalmente antagônicos entre si, irão fazer todo o sentido algum dia, embora não ao mesmo tempo.

É como no caso dos ditos populares. Um diz: devagar se vai longe. Outro diz: quem espera morre sentado. Qual dos dois seria o mais recomendável para uma carreira? Os dois, mas em momentos diferentes. Se pedimos demissão porque as coisas não estão acontecendo na velocidade que gostaríamos, podemos nos arrepender algum dia por termos sido excessivamente ansiosos. Porém, se não pedimos demissão e esperamos para ver o que acontece, algum dia baterá o arrependimento por nossa acomodação.

Apenas o fato de ter se formado em Direito há 10 anos, não seria suficiente para causar um desvio de percurso tão grande na carreira do nosso ouvinte, a ponto de ela nunca mais entrar nos eixos.

Conselhos são úteis, e é bom ouvi-los. Mas eles não vem com certificado de garantia. O resultado das nossas próprias decisões é que fará com que os conselhos que ouvimos pareçam mais certos ou mais errados.

Max Gehringer, para CBN.

2009-12-30

Filme: Avatar

Já faz duas semanas que eu fui aos cinemas ver Avatar, mas só agora decidi postar alguma coisa sobre o filme do insano James Cameron (o cara é foda!).

filme avatar poster cartaz
Acho que a maioria já deve ter lido, ou mesmo visto o filme, mas aqui vai uma pincelada da história: num futuro não tão distante assim (daqui uns 150 anos), os humanos viajam pelo espaço numa boa. Na lua Pandora, um que tem condições bem parecidas com a Terra (apesar de não ter uma atmosfera respirável para nós), uma grande corporação explora a mineração de um material muitíssimo valioso. Entretanto, há outras dificuldades: além de feras nativas hostis, há ainda um grupo de seres humanóides, os Na'vi que vivem em harmonia e integrados ao planeta, e que não estão exatamente contentes com a chegada dos gananciosos e destruidores invasores.

Neste cenário, Jake Sully, um fuzileiro paraplégico, é levado ao planeta para controlar um Avatar, basicamente um surrogate, ou seja, um corpo artificial que pode ser controlado a distância, criado a partir de DNA humano e Na'vi. E por algumas brincadeiras do destino (ou sinais divinos, como queira), Jake acaba entrando em contato íntimo com o pov Na'vi, aprendendo com eles, e se tornando cada vez mais nativo, até se apaixonando pela bela azulzina (que na verdade é a mais chocolate Zoe Saldana).

filme avatar navi
Mas essa conduta não vai ser boa quando a guerra entre os destruidores humanos e o povo natureba Na'vi estourar. E então, Jake (e alguns cientistas nerds, que lembrem-se, nerds são sempre legais e bonzinhos) irão lutar pelos Na'vi.

Tirando o cenário sci-fi, a história é basicamente a da Pocahontas, com todos os estereótipos acompanhando (o povo nativo integrado com a mãe natureza, o culto à mãe terra, o sentido espiritual profundo ligado às árvores, o invasor tecnologicamente superior ganancioso, os militares doidos pra entrar numa guerra, "os sinais" do destino, etc).

filme avatar montanhas flutuantes
Uma vez que você tenha a consciência de que a história é simplista e não vai fazer você mudar a sua vida, já pode relaxar na poltrona e curtir o visual estonteante do filme. Tecnicamente, o filme é um primor: não dá pra ver o que é computação gráfica (a não ser claro, pela sua não existência, como os smurf-thundercats) e o que é filmado. Basicamente, o que faltou no roteiro, eles colocaram na fotografia. Além disso, as atuações são muito boas e o som é excelente.

Quem for fã de Aliens, o Resgate, vai gostar das referências. A mais explícita é a do robô que os militares usam, praticamente uma versão mais high-tech do que Ripley (Sigourney Weaver, também neste filme), usou pra dar umas porradas na Alien-rainha. Mas também dá quase pra dizer que a grande corporação que explora Pandora é de alguma forma, conectada à companhia dos primeiros filmes Alien.

filme avatar sigourney weaver
Avatar é, antes de um filme, uma experiência visual. A história é básica, sem nenhuma surpresa, e nota-se claramente que várias cenas e tomadas estão lá, apenas pra ressaltar o aspecto visual 3D do filme, sem acrescentar muita coisa.

Com tudo isso, eu estou dizendo que Avatar é um filme ruim? De maneira nenhuma, Avatar é muito divertido. Eu mesmo fui assistir o filme duas vezes, a primeira vez, legendado e em 2D, a segunda vez dublado em 3D. Vou admitir que o 3D é legal e proporciona várias vezes durante o filme, aquela imersão (como desviar de uma pedra, ou espantar um mosquito da tela), mas ver o filme em 2D também vale a pena. E a dublagem até que ficou decente.

filme avatar árvore
Em suma, não seja muito crítico com a história, e vá apreciar o visual. Assim, talvez você saia maravilhado do cinema, como muitos conhecidos meus. Se você é daqueles que fica maravilhado apenas vendo uma praia, ou uma montanha, ou qualquer cenário, apenas por ver, com certeza vai adorar assistir Avatar. Agora, se você é daqueles que gosta de uma boa história, seja num livro ou numa tela, como eu, então não seja muito crítico, desligue essa parte do cérebro e, assim como no filme ao realizar a conexão com os avatares, deixe-se levar pelo feixe de luz, que chega aos seus olhos.



Para saber mais: Crítica no Omelete.

O Teorema do Salário

Pra quem ainda não conhece, aqui vai, em imagens, a explicação do Teorema do Salário, uma das pérolas de sabedoria do Dilbert. O Teorema do Salário basicamente diz que engenheiros e cientistas nunca irão ganhar tanto quanto gerentes, executivos, vendedores, etc...

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"Tempo é dinheiro"

"Conhecimento é poder (potência)"

"Potência = Trabalho/Tempo" (equação da Física)

Substituindo na equação tempo por dinheiro e potência (poder) por conhecimento, tem-se:

Conhecimento = Trabalho/Dinheiro

Esta equação é equivalente a Dinheiro = Trabalho/Conhecimento

Logo, quando o Conhecimento tende para zero, o Dinheiro tende para infinito!

Imagens de algum Power Point, originalmente vistas aqui no Damn Cool Pics.

Cinco regras de ouro para o almoço de negócios - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 30/12/2009, com cinco regras para se dar bem num almoço a trabalho.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Cinco regras de ouro para o almoço de negócios

almoço executivo
"Trabalhei durante anos em uma empresa que era voltada para dentro dela mesma", escreve um ouvinte. "Nunca saíamos para reuniões em outras empresas, e quem quisesse se reunir conosco, tinha que vir até nossa empresa e aguentar o nosso cafezinho requentado. Há um mês fui contratado por uma multinacional que é exatamente o verso da moeda. Parece que aqui se confunde reunião de trabalho com almoço, como se qualquer assunto precisasse ser discutido num restaurante, e sempre em grupo. Gostaria de saber se existem algumas regras de comportamento para esses almoços de negócios."

Sim, existem cinco regrinhas. Aqui vão elas:

Primeira: ingerir o mínimo possível de bebidas alcoólicas. Se for impossível recusar, dê uma lambiscada na beira do copo e não toque mais nele, mesmo que os demais estejam entornando garrafões. Os outros podem até esquecer do que eles fizeram, mas sempre irão se lembrar do que nós fizemos.

Segunda: jamais falar mal da empresa em que estamos trabalhando, nem fazer comentários pessoais e indiscretos sobre os nossos colegas de trabalho.

Terceira: respeitar a hierarquia. Se do outro lado da mesa houver um VP cheio de razão, é sensato concordar com o que ele diz.

Quarta: não ser crítico ou fazer piadas, com temas que possam provocar polêmicas desnecessárias ou ofender alguns dos presentes. Dentre esses temas, os mais sensíveis são sexo, raça e religão.

Finalmente, a quinta e mais importante: no mesmo dia do almoço, mandar um email para as pessoas da outra empresa, individualmente, elogiando e agradecendo a companhia delas.

Eu fiquei com a impressão de que o nosso ouvinte acha que esses almoços são perda de tempo e desperdício de dinheiro. E conheço muita gente que também pensa assim.

Mas esse é um problema da empresa. Em nosso caso pessoal, é bom lembrar que os pratos servidos e os assuntos discutidos têm menos relevância do que a imagem que deixamos. Do outro lado da mesa, estão pessoas que podem ser ótimas fontes de referência, para uma futura vaga na empresa em que elas trabalham.

Não que estejamos precisando disso neste momento, mas ninguém sabe o dia de amanhã. Por isso, o prato principal de um almoço de negócios não é o peixe grelhado com amêndoas. É o marketing pessoal com inteligência.

Max Gehringer, para CBN.

2009-12-29

A empresa precisa de um choque de organização? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 29/12/2009, sobre o trabalho em pequenas empresas.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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A empresa precisa de um choque de organização?

pequenas empresas
"Trabalho em uma empresa pequenina", escreve um ouvinte. "Somos ao todo 28 funcionários, sendo 19 na produção e 9 em outras tarefas. Eu sou um dos nove. Se eu fosse definir o que faço, eu diria que é uma mistura de vendas, cobrança, administração, troca de lâmpadas queimadas e desentupimento da pia do banheiro, já que a empresa não tem quem cuide dessas coisinhas que só acontecem de vez em quando.

Como não temos uma definição muito clara de quem deve fazer o quê, muitas vezes dois funcionários estão fazendo a mesma coisa. Eu até que ganho razoavelmente bem e admito que o clima na empresa é bom, tanto que nem me lembro quem foi o último funcionário a pedir a conta. Porém, acredito que um choque de organização poderia gerar excelentes resultados. Como convencer o dono da empresa a aceitar que os tempos são outros?"


Bom, você acabou de descrever com exatidão, dezenas de milhares de pequeninas empresas brasileiras. Eu trabalhei em uma delas. Não tínhamos crachá, porque todo mundo conhecia todo mundo. Não tínhamos organograma, porque todo mundo sabia quem mandava. Não tínhamos uma visão de longo prazo, porque empresas pequenas são reativas e dançam conforme a música.

Anos depois, quando me mudei para uma empresa grande e organizada, eu descobri um monte de coisas novas e maravilhosas. Era uma gestão tão profissional, que fazia a minha empresa anterior parecer pré-histórica. Só havia um pequeno senão: o trabalho era tão bem dividido, que qualquer funcionário era dispensável a qualquer momento.

O meu trabalho consistia em preparar relatórios que eu não sabia para que serviam e nem por quem seriam lidos. Em pouco tempo, eu comecei a sentir falta da desorganização da minha ex-empresa, e das decisões que eram tomadas a partir de uma simples conversa de cinco minutos.

Por isso, eu daria uma sugestão ao nosso ouvinte da empresa pequenina. Entre uma troca de lâmpada e um desentupimento de pia, abra a janela, olhe para o céu, respire fundo e diga: "Obrigado, Senhor. Obrigado porque eu ganho bem, tenho um bom ambiente de trabalho, sou muito importante para minha empresa e todo mundo nela sabe disso."

Max Gehringer, para CBN.

2009-12-28

A 'quebra de paradigmas' em empresas - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 28/12/2009, sobre quebra de paradigmas nas empresas.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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A 'quebra de paradigmas' em empresas

quebrar paradigmas
"Trabalho em uma empresa que tem dificuldades para quebrar paradigmas", escreve um ouvinte e explica porque. "Preocupado com o meu desenvolvimento profissional, solicitei que a empresa me pagasse um curso. E o gerente me respondeu que a empresa nunca fez esse tipo de concessão. Assim, sem nenhuma outra explicação. Você concorda que essa é uma empresa que parou no tempo?"

Humm, não, não concordo. Das muitas expressões que fazem parte do blablabla corporativo, quebrar paradigmas é uma das que mais me assustam. Porque quase sempre "precisamos quebrar paradigmas", é uma frase interpretada como "precisamos mudar tudo o que está sendo feito do mesmo jeito há mais de cinco anos".

Daí, a palavra paradigma acabou ganhando uma conotação negativa. Dizer que uma empresa não quebra paradigmas, é como dizer que ela é atrasada, parada no tempo, incapaz de acompanhar o ritmo do progresso.

Mas paradigma é outra coisa. O sentido original da palavra, que é grega, era o de comparar. Mais exatamente, paradigma se traduzia como colocar lado a lado.

Uma empresa pode ser considerada míope se ela jamais compara a maneira como as coisas são feitas, com outras maneiras diferentes de fazer essas mesmas coisas. Mas, uma empresa que faz essa comparação e decide não mudar nada, não é necessariamente míope.

No caso do nosso ouvinte, a empresa colocou duas situações lado a lado: o que ela está perdendo por não pagar cursos para os funcionários, e o que ela ganharia se os pagasse. E a conclusão da empresa foi de que o paradigma deveria ser mantido.

Nosso ouvinte fez uma pergunta e ouviu uma resposta. Como não foi a resposta que ele queria ouvir, a culpa recaiu sobre os paradigmas. Mas eu aconselharia ao nosso ouvinte a não desistir. Muito possivelmente, na avaliação da empresa, o nosso ouvinte iria se beneficar com o curso, mas a empresa não.

Agora, o nosso ouvinte precisa fazer exatamente o quea palavra paradigma sugere: apresentar duas situações para a empresa avaliar, mostrando como o curso pago será de utilidade para a empresa, do ponto de vista técnico e financeiro.

É muito raro uma empresa rejeitar uma mudança que irá beneficiá-la. Mas é mais raro ainda uma empresa concordar com uma mudança, apenas para não ser acusada de ter dificuldades para quebrar paradigmas.

Max Gehringer, para CBN.

2009-12-27

Dexter - Quarta Temporada - Season Finale

Uma das séries que eu acompanho e acho espetacular é Dexter. Recentemente terminou nos Estados Unidos a quarta temporada, e o final foi simplesmente de estourar a cabeça, de gritar "QUE FODA!" a plenos pulmões.

Ou como diz Debra, a irmã boca-suja do Dexter, foi um dos finais mais PUTA-QUE-PARIU-FUCKING-MOTHERFUCKING-WHATEVER EVER!.

O vilão dessa temporada foi o assassino serial que ficou conhecido como Trinity (interpretado pelo John Lithgow), que praticamente desde o primeiro episódio dá as caras.

Olha, eu tenho que admitir que estava achando o Trinity meio fraquinho, um vilão/antagonista meia-boca mesmo, especialmente se compararmos com o Ice Truck Killer da primeira temporada, ou mesmo o Sargento Doakes, na segunda, apesar de ser melhor que a história do Miguel Prado da terceira...


...


SPOILERS ABAIXO!


...


NÃO VEJA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU E PRETENDE VER O EPISÓDIO


...


EU AVISEI!

O Trinity passou a temporada inteira sendo "apenas mais um" assassino serial, mesmo que bem sucedido no seu "trabalho". Quer dizer, mesmo quando o Dexter chega a travar um contato mais íntimo com o Arthur (nome real do Trinity), ainda assim o cara permanece meio apagado. Quero dizer, o cara está longe de ser marcante.

Bem, chegou o último episódio, e apesar dos empecilhos, e reviravoltas no enredo, é claro que o Dexter ia conseguir pegar a sua presa.

dexter season finale quarta temporada trinity amarrado (Como de costume, sai um assassino serial embalado pra viagem!)

dexter season finale quarta temporada trinity lembrancinha (Não podia faltar a lembrancinha.)

dexter season finale quarta temporada trinity justiça poética (Justiça poética. Com martelo feres, com martelo serás ferido. Ou esmigalhado. Ou massacrado. Ou morto.)

Até aqui, eu ainda achava o Trinity meio irrelevante. Só mais um carinha que de um pouco mais de trabalho pro Dexter...

Mas eis que o episódio, nos minutos finais, revela uma grande surpresa!

Ao chegar em casa, Dexter recebe uma mensagem, dizendo que Rita e o filho dele, Harrison, que eram pra estar viajando, tiveram um pequeno contratempo e tiveram que voltar pra casa pra pegar um documento esquecido. Ao tentar ligar pra Rita, uma surpresa:

dexter season finale quarta temporada trinity telefones celulares (Isso não pode ser boa coisa.)

Ouvindo o choro de um bebê, Dexter vai até o banheiro:

dexter season finale quarta temporada trinity bebê sangue
E encontra seu filho todo banhado em sangue, em uma situação muito parecida com a dele próprio:

dexter season finale quarta temporada trinity bebês sangue (Em cima, o pequeno Harry. Abaixo, o próprio Dexter, num flashback de sua própria experiência traumática.)

E Rita... Morta na banheira.

dexter season finale quarta temporada trinity rita morta
dexter season finale quarta temporada trinity rita morta (Parece que Julie Benz - a atriz que interpreta Rita - não vai aparecer nas próximas temporadas. Ou será que ela vai virar um "fantasma" como o pai de Dex?)

Pois é, no melhor estilo Se7en, Trinity fez uma visitinha à família do protagonista, antes de ser pego.

E agora, o que esperará o nosso serial killer favorito? Justo quando ele estava tentando diminuir a influência de seu passageiro sombrio...

dexter season finale quarta temporada trinity tal pai tal filho (E o que será do pequeno Harrison? Pai e filho, carregando pai e filho.)

Esperemos ansiosos a quinta temporada de Dexter então.

2009-12-26

O Retorno do Rei das Duas Torres da Sociedade do Anel

Ontem foi Natal, a festa cristã, e o comércio todo fechado, inclusive os lugares que eu frequento geralmente pra comer. Então, resolvi ficar em casa o dia inteiro mesmo. Mas aí, surge a questão: fazer o que pra passar o tempo?

Televisão? Tô fora, se geralmente eu assisto pouco, programação de Natal então... Bom, então resolvi ouvir o último Nerdcast sobre Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, e me bateu aquela vontade de rever os filmes. Como eu estava com as versões extendidas dos três filmes aqui, resolvi fazer uma maratona.

Mais de 11 horas de filmes. Cada filme tem entre 3:40 e 4:00 horas de duração. Mais ou menos uma hora a mais de cenas, do que foi exibido nos cinemas, pra cada filme. E que valem muito a pena.

Uma das coisas que sempre me incomodou nos filmes do Senhor dos Anéis foi a passagem do tempo. Tá certo que nos filmes, a saga toda dura só alguns meses, enquanto no livro são anos. Mas a edição dos filmes era sempre corrida. Por exemplo, quando os Hobbits estão deixando o Condado, no filme é pá-pum, parece que foi um dia ou dois, enquanto na verdade foram alguns dias de caminhada.

As versões extendidas corrigem perfeitamente isso. Incrível como a adição de algumas poucas cenas mostram a real grandiosidade de cada etapa da jornada, como ela deveria ser.

Até entendo porque no cinema essas cenas foram limadas, afinal, pouca gente aguentaria umas quatro horas de filme. Mas, no conforto de casa, não tem problema, você dá um pause, vai no banheiro, estoura mais pipoca, etc...

Enfim, fica a dica para um dia nerd, uma jornada a Terra-Média. Tem que ser forte, mas vale a pena. Se bem que no final, depois de quase 12 horas, você fica meio zonzo... Detalhe.

2009-12-25

Oportunidade é algo que se quer tanto, que às vezes não se consegue enxergar - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 25/12/2009, com uma história natalina sobre oportunidades.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Oportunidade é algo que se quer tanto, que às vezes não se consegue enxergar

jesus estábulo
Uma pequena história de Natal.

Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, havia um escriba, de nome Nicolau. E era Nicolau justo e irrepreensível, na obediência aos preceitos do Senhor seu deus.

Sucedeu ser Nicolau, possuidor de modesta quantia de bens, que lhe proporcionavam um viver simples, porém confortável. Mas eis que não havia felicidade no coração de Nicolau. Não eram de agradecimentos as suas preces ao Senhor, mas de muitas súplicas e lamentos.

Abnegado e servidor, porém nunca reconhecido por suas contribuições, dedicava Nicolau todo o seu tempo a implorar que o Senhor fizesse dele, um instrumento de alguma obra notável, pois Nicolau não queria terminar seus dias na vala comum dos anônimos.

Assim, todas as noites, permanecia Nicolau em sua janela, fazendo orações sem fim e interrogando o infinito. Mas ia se escoando o tempo, e nenhum sinal da vontade do Senhor se manifestava.

Uma manhã, veio acordá-lo Sara, sua mulher. Surpreendido pelo cansaço, Nicolau havia adormecido junto à janela. Era já a hora undécima de um dia claro.

"Viste, Nicolau, a estrela que por toda a noite, clareou os céus?", indagou Sara.

E respondeu-lhe Nicolau: "Não, eu não a vi. Fui interrompido em minhas preces, por um viajante que passava. E logo adormeci."

Novamente, perguntou-lhe Sara: "Quem seria tal viajante? Eu o conheço?"

"Não", replicou o fatigado Nicolau. "Era apenas um carpinteiro, de Nazaré da Galiléia, e sua mulher grávida. Vieram para o recenseamento. Atirei-lhe alguns dinheiros e ordenei que seguissem viagem. Creio que o carpinteiro falou algo sobre pernoitar no estábulo, mas não lhe dei atenção."

E Nicolau agradeceu ao Senhor por tê-lo poupado da inconveniência de que aquela mulher desconhecida viesse a dar a luz, justamente em sua casa. E Nicolau voltou a suplicar aos céus, por um milagre que fizesse dele um homem famoso por toda a eternidade.

Uma oportunidade é algo que se quer tanto, mas tanto, que de tanto querer, às vezes não se consegue enxergar.

Max Gehringer, para CBN.

2009-12-24

Então é natal...

E todo mundo fica emocionado (e gordo depois da ceia), se encanta com histórias natalinas e do bom velhinho... Até o Jack Bauer:



Bah, Jack Bauer é um maricas. Se fosse comigo, não tinha moleza com o velhinho não. Quem mandou não me entregar o Wii e o PS3 que eu pedi? Hahaha.

Vídeo do Jack Bauer e o Papai Noel legendado pelo Wil do MyNameIs.

Então é isso, a todos que visitam isso aqui, Feliz Saturnália!

Imagem é tudo

Porque um vai preso ou linchado, enquanto outro ganha uns trocos no Shopping.

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Mais uma tirinha do Wulffmorgenthaler (no link, o original em inglês).

Como um casal deve dividir as despesas? - by Mauro Halfeld

Transcrição dos comentários do Mauro Halfeld (site oficial) para a rádio CBN, do dia 24/12/2009, sobre como um casal deve dividir as despesas.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Mauro Halfeld, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Como um casal deve dividir as despesas?

casal com dinheiro
Quando um casal decide viver junto, é normal que apareçam dúvidas sobre como lidar com o dinheiro. Como é que fica a divisão das despesas? Quem ganha mais, paga mais?

Olha, uma maneira justa de fazer essa divisão é listar os gastos conjuntos: aluguel, luz, telefone, supermercado, plano de saúde, financiamentos. Enfim, todas aquelas despesas que são usadas pelos dois. Depois então vale adicionar uns 10% como uma gordura, como um fundo de emergência.

Digamos que no total essas despesas cheguem a 5 mil reais. E que um cônjuge ganhe 70%, enquanto que o outro tenha uma renda de 30% do total da renda da família. Minha sugestão: divide essas despesas conjuntas na proporção 70% pra um e 30% pro outro.

Agora, atenção para o fato de que o seu valor na relação não é medido pelo seu salário. Mantenha a sua auto-estima, não diminua o seu valor por simplesmente ganhar menos. E não deixe que todas as decisões fiquem nas mãos de quem está ganhando mais. Mantenha a sua autonomia.

Lembre-se de que existe nós, eu e você. Conciliar esses três personagens, dialogando e trabalhando em conjunto é uma das chaves para uma relação harmoniosa, honesta e bem sucedida.

Boa sorte nesta tarefa e tenha um feliz natal.

Mauro Halfeld, para CBN.

Como retornar para a ex-empresa após trabalhar para o concorrente? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 24/12/2009, sobre como retornar para a ex-empresa, depois de ter trabalhado para um concorrente.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Como retornar para a ex-empresa após trabalhar para o concorrente?

funcionário arrependido
Consulta de um ouvinte arrependido: "Faz cinco meses", diz ele, "aceitei uma proposta para me tornar um prestador de serviços autônomo. E pedi demissão da empresa em que eu trabalhava. Só que havia um porém: em minha nova condição, eu iria prestar serviços para duas empresas que eram concorrentes diretas da empresa em que eu trabalhava. Como eu sabia que isso poderia gerar um bate-boca desnecessário na minha saída, eu não deixei claro para minha ex-empresa, onde iria trabalhar.

Bom, passados cinco meses, estou arrependido. Já percebi que o emprego que eu tinha era melhor do que a minha situação atual. Por isso, eu gostaria de retornar à minha ex-empresa. Como posso abordar esse assunto com o meu antigo chefe?"


Quando você diz que não deixou claro qual seria o seu destino, isso pode ser interpretado de duas maneiras. A primeira, você nem disse para onde iria, e nem o que iria fazer. E a segunda, você mentiu. Em ambos os casos, a sua abordagem seria a mesma. Você deve ligar para o ex-chefe e dizer que se arrependeu de ter saído.

O que poderá acontecer quando você ligar? Existem várias possibilidades, e a pior delas é a do seu ex-chefe nem atender à sua ligação. Se você tentar falar com ele três vezes, e em todas elas ouvir a desculpa de que ele está muito ocupado no momento, isso já é uma resposta clara. Ele não perdoou você pela maneira como você saiu, e não quer você de volta. Em casos semelhantes ao seu, que eu já vi, eu diria que essa será a reação mais provável.

Caso você não esteja disposto a passar por essa situação desagradável, você pode ligar para um ex-colega. E pedir para ele sondar se o seu ex-chefe estaria disposto a escutar a sua história.

Existem empresas que têm como norma não recontratar quem pediu demissão. Mas existem outras que oferecem uma nova oportunidade, se o funcionário que saiu era realmente bom.

Em minha avaliação, as suas chances de retornar são pequenas, mas não devem ser descartadas. E para os ouvintes que forem um dia pedir demissão, e quiserem deixar as portas minimamente abertas, fica a dica de que é sempre melhor dizer a verdade na saída. Não são poucas as empresas dispostas a perdoar a quem errou, mas são bem poucas aquelas dispostas a perdoar a quem mentiu.

Max Gehringer, para CBN.

2009-12-23

Após esforço pela empresa, o que esperar como recompensa? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 23/12/2009, sobre o que esperar da empresa, após um sacrifício exigido por ela.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Após esforço pela empresa, o que esperar como recompensa?

tesouro arco iris
"No começo deste ano", escreve uma ouvinte, "a minha empresa pediu sacrifícios aos colaboradores, em função da crise, que reduziu nosso faturamento em quase 30%. Concordamos e ficamos um ano com os salários congelados. Além disso, fizemos algumas horas extras na base da camaradagem, quando elas foram necessárias. Agora, a empresa parece estar novamente equilibrada. Gostaríamos de saber o que podemos esperar para este final de ano e para o começo do próximo. Alguma recompensa, talvez?"

Sem dúvida. Talvez um agradecimento coletivo, uma celebração geral, e um alentado reajuste de salário. Isso é talvez o que vocês poderiam esperar. Quanto ao que realmente irá acontecer, isso vocês só descobrirão durante as próximas cinco semanas.

Se a diretoria não emitir neste fim de ano, uma carta enfatizando e agradecendo os esforços de todos, isso já não seria um bom sinal. Mas eu tenho quase certeza de que essa carta será afixada nos quadros de avisos, porque o custo dela é zero.

Daí em diante, quanto maior for o valor envolvido, menor será o tamanho do talvez.

No caso dos salários, a sua empresa precisaria conceder dois reajustes de uma só vez, o que não foi dado e o que seria dado. Eu imagino que o diretor financeiro sinta calafrios só de pensar nesta hipótese. Até porque, eu imagino, a empresa não fez nenhuma promessa concreta ao início da crise.

Mas você e seus colegas conhecem a empresa muito melhor do que eu. Sabem se ela tem sido bondosa nos momentos passados, assim como ela foi rápida ao solicitar um sacrifício coletivo num momento ruim.

Se a empresa não tem um histórico de bondade, vocês só conseguirão alguma coisa se pedirem. Se nada acontecer nas próximas cinco semanas, a minha sugestão é que vocês formem uma comissão mista, com representantes de todos os setores, para conversar com os gestores. E quanto mais gente for conversar, melhor.

E qual será a probabilidade de sucesso? Depende. Se o que uniu vocês no início da crise foi a coragem para suportar uma temporária situação ruim, por uma boa causa, a probabilidade de conseguir a mesma união para solicitar uma contrapartida, é grande.

Porém, se vocês aceitaram o sacrifício apenas pelo receio do que poderia acontecer aos seus empregos, vocês não conseguirão pessoas suficientes para formar uma comissão.

Eu espero que a motivação de vocês tenha sido a coragem.

Max Gehringer, para CBN.

2009-12-22

Como é gasto o tempo no final do ano

Se você trabalha, a não ser que seja em vendas e comércio em geral, sabe que as duas semanas finais do ano não rendem nada. É só bate-papo, conversinhas de corredor, fofocas do que rolou durante a festa de natal da empresa, ou simplesmente aquele enrolation suspirando vendo os ponteiros do relógio.

E a semana entre o natal e o ano novo é pior ainda. Dia 31, por exemplo, é totalmente inútil.

Tem gente que pode até negar (na frente do chefe), mas é mais ou menos assim que o tempo é gasto nas empresas, nos dias finais do ano:

gráfico Fim de ano

Bem, em vez de fingir estar trabalhando, também daria pra colocar "blogando".

Quem é bom sempre encontra o seu espaço - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 22/12/2009, com uma mensagem a uma jovem ouvinte: quem é bom, sempre encontra espaço.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Quem é bom sempre encontra o seu espaço

planeta terra conquistando
"Tenho 16 anos", escreve uma jovem ouvinte. "Estou me preparando para entrar no mercado de trabalho, mas todo dia alguém me previne que estou sendo muito otimista. E que vai ser difícil eu conseguir um bom emprego. Por que isso acontece?"

Para quem aprecia explicações, há muitas.

A primeira é que tem gente demais no mundo. A humanidade atingiu o primeiro bilhão de pessoas no ano de 1804. Mas para chegar ao segundo bilhão, apenas 123 anos foram necessários. Isso aconteceu em 1927. Apesar das enormes perdas de vidas na Segunda Guerra Mundial, o terceiro bilhão foi atingido 53 anos depois, em 1960. E apenas 14 anos foram necessários para chegarmos ao quarto bilhão, em 1974. Hoje, estamos caminhando para o sétimo bilhão. Isso deve acontecer daqui a dezoito meses.

Outra grande mudança foi a localização de tanta gente. No Brasil, há 100 anos, 70% das pessoas estavam no campo, vivendo da lavoura. Atualmente, 70% moram em cidades, e vivem de seus empregos.

Se não bastasse isso, a quantidade de pessoas requeridas para executar um trabalho diminuiu muito. O progresso tecnológico permitiu que uma única pessoa possa dar conta, nos dias atuais, de tarefas que requeriam três ou quatro pessoas há 50 anos.

E há também o aumento da expectativa de vida. Nossos avós aceitavam pacificamente que tinham que se aposentar antes dos 50 anos. Hoje, quem tem 60 anos nem está pensando em desocupar a cadeira.

O resultado de tudo isso é uma competição acirrada pelas melhores vagas, naquelas empresas que pagam bons salários e proporcionam oportunidades de rápido crescimento profissional. É por isso que quando uma empresa anuncia que vai contratar dez estagiários, aparecem cem candidatos. E todos eles, muito bem preparados.

Então, respondendo à nossa jovem ouvinte, realmente há mais gente boa do que bons empregados. Mas uma coisa não mudou. Em qualquer momento da história, uma pessoa em cada dez, conseguiu se destacar e se sobressair. Antigamente, mais pela força. Atualmente, mais pelo talento.

É isso que a nossa jovem ouvinte precisa ter em mente. Quem é bom sempre encontra o seu espaço. O mundo pode estar lotado de gente. Mas a nossa ouvinte não está competindo com sete bilhões de terráqueos ou com 200 milhões de brasileiros. Ela apenas precisa mostrar que é melhor que os nove jovens que irão competir diretamente com ela, por uma boa oportunidade.

Max Gehringer, para CBN.

2009-12-21

As diferenças entre mentor e coach - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 21/12/2009, sobre as diferenças entre um coach e um mentor.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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As diferenças entre mentor e coach

coach vs mentor
"Sei que você já explicou uma vez", escreve um ouvinte, "mas você poderia explicar de novo, a diferença entre um coach e um mentor?"

Muito bem. Vamos primeiro ao âmago da questão. Imagino que o âmago deva ser aquela parte que fica entre pâncreas e o duodeno, mas isso não tem importância nesse momento.

No fundo, um coach e um mentor fazem basicamente a mesma coisa: dão conselhos sobre carreira. Na prática, a diferença está no preço.

Quase sempre, um mentor é alguém da própria empresa. Um profissional com uma vasta experiência, que já acertou e errou o suficiente na vida, para se tornar o conselheiro pessoal de um jovem que mostra potencial para assumir funções mais importantes no futuro.

Em várias empresas que eu conheço, os mentores são apontados pela própria direção. O mentor não diz o que o jovem com potencial deve fazer. Ele apenas oferece sugestões, eventualmente de cursos, mas principalmente de comportamento, para que o jovem possa pensar e avaliar.

Já um coach, quase sempre, é alguém de fora da empresa. É um consultor especializado. E como o nome sugere, é alguém que cobra por seu serviço de aconselhamento de carreira. O cliente do coach irá passar por uma avaliação psicológica, um teste vocacional, uma série de entrevistas, e depois ouvirá recomendações sobre os rumos que poderá seguir.

Essas consultorias de coaching tanto podem atender a um profissional que as procure por conta própria, como também a grupos de profissionais selecionados por uma empresa, para participar de um programa específico de aconselhamento.

Antes que um ouvinte me escreva pedindo que eu recomende uma consultoria de coaching, eu me desculpo e informo que não dou recomendações específicas, porque isso tiraria a neutralidade dos meus comentários. Mas quem procurar na internet, encontrará centenas dessas consultorias, e poderá marcar uma conversa inicial, sem compromisso, para avaliar se vale a pena o investimento.

De minha parte, eu gosto mais do mentor designado pela empresa. Porque essa é uma bela maneira de demonstrar publicamente, que a empresa reconhece o inestimável valor da experiência que essas pessoas acumularam.

Maneira que só não é ainda mais bela porque mentores designados por empresas não ganham nada para agregar essa função, às suas tarefas normais. É por isso que muitos mentores terminam abrindo consultorias de coaching.

Max Gehringer, para CBN.

2009-12-20

Gordos são mais ecológicos - fail

"O que é mais 'verde'? Ser obeso e fora de forma, ou magro e saudável?"

fail,eco,gordos

"Apesar de pessoas obesas consumirem um pouco mais de energia do que pessoas magras, os obesos não irão viver tanto, e portanto, consumirão menos recursos do planeta."

Mais uma do Fail Blog.

Seja ecológico você também. Seja gordo e morra mais rápido, huahuahua.

2009-12-19

Filme: Abraços Partidos

Como esse é o primeiro fim de semana de Avatar, pra não enfrentar hordas de aborrescentes chatos e filas nervosas, fui ver outro filme, no caso, o novo de Almodóvar, Abraços Partidos (ou Los abrazos rotos, no original). Um drama de amores, ciúmes e redenção pela arte do cinema.

filme abraços partidos pôster cartaz
Em um pouco mais de duas horas, Almodóvar nos traz a história de Mateo Blanco e Harry Caine, que na verdade são um só. Harry é o pseudônimo adotado por Mateo ao assinar seus textos, como roteirista. Logo no começo, no presente (ok, em 2008, quando foi realizado), vemos apenas Harry, cego e escritor, tendo "enterrado" seu "eu" original, que era também diretor de cinema.

Ao mesmo tempo, vemos algumas cenas de 1992, que nos mostra Lena (Penélope Cruz), uma aspirante a atriz e secretária (para pagar as contas), com dificuldades familiares e que é assediada pelo rico patrão, o empresário Ernesto Martel. Mais tarde, ela acaba se tornando a companheira dele.

filme abraços partidos lena e ernesto, o rico canalha
A interseção da história destes dois personagens é contada na forma de um grande flashback por Mateo, relembrando como conheceu Lena, ao filmar o seu último filme, quando ainda enxergava. E como o amor, apaixonado e voluptuoso, surgiu entre os dois, já no primeiro olhar, quando é nítida aquela "faísca".

A história de amor dos dois dá o fio da história, que ainda envolve outros personagens secundários, mas ainda assim, fascinantes e importantes para a trama, como o filho gay de um casamento passado de Ernesto, e a agente de Mateo e seu filho, que dão suporte ao agora cego Harry.

filme abraços partidos mateo lena apaixonados
Abraços Partidos é um drama, tem histórias de paixões e tragédias, mas tem também um traço forte de amor ao cinema, que impregna o boa parte do filme, na sua meta-história (ou o filme dentro do filme), de maneira sutil mas persistente, até a redenção final, essa sim, explicitamente dedicada à sétima arte.

filme abraços partidos harry cego lena televisão
Enfim, Abraços Partidos é um ótimo filme, mas não para todos. O ritmo de construção dos personagens é lenta, gradual, mas bem feita. Não é um daqueles filmes que marcam a história, mas é muito bom. Se você gosta de histórias de amor, drama e redenção, e ainda por cima for um cinéfilo, vai adorar. Eu gostei.

Trailer:



Para saber mais: crítica do Omelete.

2009-12-18

Filme: A Princesa e o Sapo

Corajosamente enfrentando hordas de criancinhas de mãos dadas aos seus pais, fui ver semana passada a nova animação da Disney, A Princesa e o Sapo (ou The Princess and the Frog, no original). Apesar de ser claramente voltado ao público infantil, o filme é delicioso de se ver, mesmo adulto.

filme a princesa e o sapo poster cartaz
Há muito tempo a Disney não faz uma animação tradicional (não 3D) de qualidade. Mas a volta da empresa do Mickey é em grande estilo. A Princesa e o Sapo traz de volta à memória aquele gosto de ver um bom filme Disney. Há algumas inovações, é verdade, como por exemplo a heroína ser negra (se não me engano, a primeira na história das animações Disney), e ser uma mulher forte, que trabalha e que busca seus sonhos.

Mas essas pequenas novidades não se sobrepõem à clássica cartilha da Disney, com magias, animais (ou em outros casos, objetos) falantes, e muita música. Bem, se fôssemos classificar a maioria dos filmes da Disney, seria como musical. Eu particularmente não gosto muito de musicais, são poucos que me agradam e menos ainda os que eu adoro. A Princesa e o Sapo está entre esses primeiros.

filme a princesa e o sapo ray vagalume (Ray, o vagalume, emprestando sua luz ao filme. O melhor personagem do filme, pra mim, com seu amor enluarado. E a tradição de bichinhos falantes continua.)

Vamos à história: Tiana, a nossa heroína, tem um dom para a cozinha. Desde pequena, sonha, como o pai, em ter um restaurante. Já crescida, busca alcançar esse seu sonho (também em memória a seu pai falecido), economizando muito e trabalhando mais ainda. Arranjar um homem, ainda mais um príncipe, é a última coisa que passa pela sua cabeça.

A história, brincando com o estereótipo de sapos que, beijados, viram príncipes encantados, faz com que Tiana encontre o príncipe Naveen transformado em sapo, por um feiticeiro vodu (sem bruxas desta vez, afinal, feiticeiros vodus são muito mais Nova Orleans, onde se passa a história). Prometendo ajudá-la a montar seu sonhado restaurante, o sapo-príncipe pede a Tiana um beijo, achando que isso iria transformá-lo de volta. O que acontece é o contrário: ela vira uma sapinha (ou perereca, apesar da palavra carregar um pouco de duplo sentido).

filme a princesa e o sapo beijinho
Agora a nossa heroína e o príncipe, ambos transformados em batráquios, partem para tentar voltar ao normal. E nessa jornada, como não poderia deixar de ser, conhecem alguns aliados (no caso Disney, os animais antropomorfizados), enfrentam os perigos inerentes de ser um sapo e a perseguição do vilão. E nesse meio tempo, claro, os dois anfíbios acabam por se envolver, no melhor estilo comédia romântica.

filme a princesa e o sapo línguas enroscadas (Literalmente, enroscando a língua na perereca. É, apelativo dizer isso, eu sei, eu sei...)

Envolvente, por vezes emocionante, engraçado, divertidíssimo e de clima leve, A Princesa e o Sapo é daqueles filmes que a gente sai do escurinho do cinema sorrindo, com a alma um pouco mais leve. Porque, pelo menos por alguns minutinhos, a magia foi real. Nem que fora na telona.

Trailer:



Para saber mais: crítica do Omelete e crítica da Baunilha no Smellycat, o meu blog de animação preferido.
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